CASA
OCUPAÇÃO

Riozinho, RS

A oportunidade de se poder trabalhar em qualquer lugar, com acesso à internet, aliada à vontade de conviver e colaborar com o meio natural, foi o ponto de partida para o projeto da ‘Casa Ocupação’. As dinâmicas de reconexão com a natureza incluem o fomento aos movimentos de autonomia, que neste caso, objetivavam ser iniciadas pela própria atividade da autoconstrução, a ser exercida pelo Helton, nosso interagente solicitante do projeto e futuro morador do local.


A pequena casa a ser construída em um terreno arrendado, na área rural de Riozinho/RS, também deverá servir como local de trabalho. Ela possui as dimensões ideais para favorecer a modulação dos elementos construtivos e apresenta um planejamento que facilita sua montagem, desmontagem e transporte, levando em conta que essa foi uma das diretrizes iniciais de projeto. Por outro lado, no caso de que as coisas fluam para que a moradia siga ali mesmo, este projeto também considera a possibilidade de ampliação da edificação, através do sistema implementado de pré-fabricação das peças.

A possibilidade de mudança incita a flexibilidade! O elemento condutor desse projeto foi o reconhecimento da impermanência. E diante da aceitação dessa condição, exaltou-se a importância de reconhecer as necessidades e as possibilidades de quem irá construir e habitar este lugar, visando sustentar a presença da fluidez durante estes processos.

Assim como os brinquedos de blocos para montar, este projeto será conformado por peças que serão previamente construídas, para que depois possam ser encaixadas à obra. Este processo de modulação possibilitará que a edificação possa ser desmontada e então montada novamente, pois em caso de mudança, é indispensável que a casa possa ser transportada.


Visando favorecer a comodidade, levantou-se a demanda de que o transporte da edificação possa acontecer em etapas, desta forma, a casa poderá ser dividida em duas, sendo possível a desmontagem e transporte de metade da casa, com o intuito de que a edificação possa seguir servindo de abrigo, durante este transcurso.

Foram priorizadas alternativas passivas para o resfriamento e o aquecimento dos ambientes internos, com atenção à localização e dimensão das aberturas, buscando propiciar a ventilação cruzada, o efeito chaminé (para os dias mais quentes) e a iluminação natural. Para os dias mais frios, aproveitando o bom desempenho do isolamento térmico, haverá um fogão à lenha no ambiente de estar, que também poderá servir para o aquecimento da água das torneiras e chuveiro, através da instalação de uma serpentina no fogão à lenha e de um boiler para armazenamento da água já aquecida.


A madeira é o principal elemento dessa edificação, que em conjunto com demais materiais, conformará as peças para pré-montagem. A construção, que também conta com o apoio de um construtor local, deseja aproveitar os aprendizados e as experiências de se construir o próprio lar.

 
 
 
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Este projeto nos proporcionou ativar novas ferramentas de projeto, já que o objetivo inicial da casa era ser facilmente desmontável. Agradecemos ao Helton pela oportunidade e por nos instigar a melhorar!