CENTRO DE VIVÊNCIAS ANHETENGUÁ

Tekoá Anhetenguá - Lomba do Pinheiro, Porto Alegre, RS

E tudo começa por um sonho. O cacique da aldeia Mbya Guarani Tekoá Anhetenguá, ciente da situação de desconexão de pessoas não indígenas/juruás com o todo, acredita na importância de se colocar à serviço, como um ponto de apoio para o fortalecimento da vida espiritual de quem por isso buscar.


O Centro de Visitantes para indígenas e não indígenas da aldeia tem o propósito de acontecer para oportunizar movimentos de aproximação com os saberes ancestrais e a cultura Mbya Guarani, no intuito de promover o conhecimento, a valorização e o respeito pela vida cotidiana deste povo originário. O local de acolhimento preza pela vida em união e conexão, que de maneira fluída e amorosa, busca colaborar com a vida na Terra, perseverando e pluralizando o bem viver. Este projeto nos toca e nos motiva a participar, por estar relacionado com a diversidade, o apoio mútuo e demais valores que fomentem a vida em consciência e equilíbrio.

O contexto participativo iniciou pela busca de referências da arquitetura indígena, mais especificamente da etnia Mbya Guarani. Através de estudos prévios e conversas com integrantes da aldeia, fomos nos aproximando do que se espera para o lugar. Num contexto da pandemia, a fim de preservar a vida de todas as pessoas envolvidas neste processo projetual, convidamos a comunidade Mbya Guarani a nos comunicar, à distância, sobre como imaginam esta casa de acolhimento que irá integrar a aldeia. A atividade do desenhar aconteceu coletivamente e, através do resultado deste processo participativo, pudemos nutrir uma proposta de projeto que contempla um amplo local de acolhimento, com espaço para preparação de alimentos e um volume separado para os banheiros, que terá saneamento ecológico.


A proposta de projeto foi recebida na aldeia em um contexto de roda de fogo, em que pudemos apresentá-la para nossxs amigxs Mbya Guarani, que a analisaram e aprovaram com bastante entusiasmo. As escolhas projetuais envolvem estrutura de madeira com a utilização de pau a pique para fechamento. Esta técnica com terra faz parte da cultura indígena, oportunizando a participação da população local na construção.